Linux no meu desktop: A Saga!

Linux no meu desktop: A Saga!

Por Rafael Arcanjo | Em 30.08.06 | Categorias: GNU/Linux, Pessoal, Sistemas Operacionais, Tecnologia

Oi Pessoas,

A muito tempo vinha querendo instalar uma distribuição linux em meu desktop. Muito tempo mesmo. Desde que fui obrigado a remover meu Debian por falta de espaço. E bote aí pelo menos uns 2 anos. Como estava na faculdade, não tinha tempo para mexer muito no PC em casa, e aos finais de semana a preguiça e a vontade de ter um tempo para mim depois de uma semana inteira mexendo com computador prevaleciam.

Pois bem, a faculdade agora não é mais um problema.
Espaço no HD também não, porque tô com um de 200GB (que comprei indignado depois de ter estragado o meu de 40GB com TODOS os meus dados importantes :[ ) + um de 40GB.

Então, qual distro instalar?
Queria uma coisa fácil, bem desktop para usuário final mesmo.
Tinha 3 distribuições em mente: Debian-BR-CDD , Kurumin e Ubuntu. Vi screenshots de todas e gostei muito. Vamos lá então baixar os ISOs e queimar os cds ;)

Procurei também informações sobre as distros e as opniões e links que visitei tinham uma forte menção positiva ao Ubuntu, mas eu já tinha rodado o live-cd da versão 5.10 e não tinha gostado muito. Achei muito simples, muito seca para um usuário final. Acho que eu estava acostumado com o KDE e estranhei bastante na época (o Ubuntu por padrão roda o Gnome).

Nesta busca, fiquei sabendo que os pacotes do Debian-BR-CDD eram muito antigos. -1 ponto para ele então. Mas como já tinha gravado
Resolvi que ia começar pelo Kurumin 6.0.
Live-CD na mão (ou melhor, no drive de dvd), o Kurumin reconheceu todo o meu hardware automaticamente (inclusive a webcam prehistórica). Não reconheceu apenas meu som Gradiente USB. O sistema tem scripts que facilitam a vida do usuário final, tudo muito bonitinho e muito explicativo para quem tá começando agora no linux.

Pronto. Gostei.
Nem vou instalar as outras versões.
É com esta mesmo que vou ficar.
Como usuário de máquinas linux para servidores, a primeira coisa que eu faço após instalar uma distribuição é o milagroso conjunto apt-get update e apt-get dist-upgrade.
Fiz isto e o apt falou que ia desinstalar trocentos pacotes e instalar trocentos x 2.
Beleza, que faça-se a luz.
Confirmei a operação e fui ler mais um pedaço do livro que estou lendo agora (Labirinto, de Kate Mosse).

Depois de um bom tempo, o apt terminou a operação.
Reiniciei a máquina e fui ver o resultado, empolgado por estar agora com o sistema totalmente atualizado e ancioso para começar a desvendar o Kurumin.
Ledo engano. Tamanha foi a surpresa quando iniciei o sistema e vi que praticamente nenhum dos programinhas legais e scripts-milagrosos não mais funcionavam.
Meu Deus!
Fiquei um tempo mexendo, depois perdi a paciência.
Não sei se eu fiz algo errado ou se é mesmo uma característica (deficiência) do Kurumin, mas parti para a próxima distribuição.

Como disse mais acima, já que o Debian-br-cdd tinha os pacotes antigos, deixei ele por último.
Fui para o Ubuntu.

O problema é que o cd que eu tenho aqui é da versão 5.10 e a versão atual é a 6.06 Dapper Drake.
Resolvi instalar assim mesmo e depois atualizar para a próxima versão, torcendo para que o apt-get dist-upgrade desta vez não engula o sistema novamente (risos).

O sistema instalou de foram bem fácil e intuitiva. A única parte que é um pouquinho mais complicada é a configuração das partições, mas nada que um pouquinho de conhecimento em particionamento não resolva.

E por incrível que pareça, gostei muito, ao contrário da vez em que rodei o live-cd.
Assim que eu configurei a conexão adsl com o pppoeconf e dei um apt-get update, o sistema (synaptic) me deu uma mensagem automaticamente falando que tinha uma nova versão disponível e novos pacotes, e ainda sugeriu que, se eu quisesse baixar as atualizações, bastava clicar no balão de notificação que foi aberto no Systray. :o
Fiquei muito surpreso (positivamente) com esta mensagem e comecei a me empolgar logo daí.
Cliquei no bendito balão e o sistema começou baixar pacote atrás de pacote (500MB deles…).

Pausa para ver o jogo do cruzeiro enquanto isto :D (não vem ao caso que ele tenha perdido :[ )

Voltando, o sistema já tinha baixado os pacotes, inclusive instalou uma nova imagem do kernel (2.6.15-9 se não me engano), como pude perceber na inicialização do Grub. O mais legal é que esta imagem não funciona. Tudo bem então, eu vou na imagem antiga (2.6.12-NaoSeiOQueMais).

Beleza! Funciona! Parece que todos os programas estão aqui. Legal ! (eu e minha mania de comemorar antes da hora).
Fui configurar a conexão adsl para começar a navegar e usufruir do sistema… Quem disse que o pppoeconf funcionava? Falava que a versão do Kernel é incompatível com aquela versão do pppoeconf (ou algo neste sentido).

Tentei resolver de várias formas, mas nada fazia o bendito rodar…

Resolvi baixar então o ISO da versão 6.06 e instalar ele diretamente.
Fui no site do Ubuntu e baixei a versão 6.06 Desktop.

Baixei e gravei num cd-rw.
Dei o boot pelo cd.
Chega uma hora que o cd para de ler e para de acender o led do hd.
A mensagem que ficava na tela era:

Configuring Some Drivers [OK]

E nada de sair dali…

Mas que &**%*#*$* !!!!!

Fiz até um post no Fórum do Ubuntu Brasil (muito bom por sinal). Mas, até o momento, não tinha conseguido resolver muita coisa, infelizmente.

Uma das alternativas foi gravar a imagem em um CD-R ao invés do CD-RW que poderia estar com problemas. Infelizmente deu a mesma mensagem e ficou agarrado denovo. Outra alternativa era baixar a imagem da versão alternate, que é em modo texto. Baixei, gravei e NADA. Problemas também.

Nesta hora achei que algo falava para deixar de lado isto e ir tomar um suco, porque a cabeça já estava a mil. Resolvi continuar no outro dia, de cabeça mais fresca.

E não é que ajudou? Com mais calma, resolvi testar algumas opções, como desconectar um dos hds para ver se o problema era com eles (não era), e trocar a unidade de DVD-RW pela unidade de CD-RW. BINGO !!!!!!!
Feito isto, o cd conseguiu passar daquela mensagem assombrada e rodar direitinho, até poder instalar a versão 6.06.

A instalação foi bem simples (apesar disto tudo que passei para chegar até ela). Se não me engano, com apenas 6 passos ele configurou tudo direitinho, inclusive partições. Tudo isto no modo gráfico, claro.

Instalado, atualizado e utilizável !
Enfim, eu tenho um sistema linux no meu desktop!!

E está aqui até hoje, rodando redondinha.
Agora é hora ver se realmente ele tá bem intuitivo e fácil para ser chamado de Sistema Desktop para Usuário Final. Vou colocar meu irmão mais novo para mexer nele para ver como ele se sai :)


Apaixonado por tecnologia, Cruzeirense e Nerd. Trabalha com TI há mais de 12 anos, porém ficou fascinado com computadores bem mais cedo quando viu o que aparentemente era um 286 rodando um joguinho de corrida via disquete de 5 1/4.

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4 Comentários

  1. Mario Nery

    Recentemente baixei o Kurumin e o Ubuntu para testar no meu PC e dividir espaço junto com o meu Windows XP. Testei os dois, e assim como vc me apaixonei pelo Kurumin.

    A distro é muito boa mesmo. Já está lá em casa, disputando com meu XP…

    Abraços!

  2. Juliano

    Parabéns por ter escolhido o Ubuntu. É um ótimo sistema. Com ele larguei de mão o Windows em casa e no trabalho!

    [ ]’s

  3. Rodrigo Branco

    Parabéns!

    Mais um integrante da para a comunidade Linux.

    Como vemos, o sucesso deste sistema operacional não depende apenas de conhecimento, e sim, de uma boa escolha na hora de baixar sua distro. Vai a dica… se um dia você se enjoar do Ubutu, o OpenSuSE 10.2 é uma ótima!

    Abs,

    OpenSuSE and Close The Windows.

  4. Francis

    Olá: depois de tentar instalar diversas distros de linux nas máquina aqui na empresa, pois deveriam ser disponibilizadas junto com o W, todas sempre entraram en conflito ou se tornavam problemáticas já desde o particionamento dos discos.
    Mas encntrei uma formula a partir do w que funcionou e se mostro baba para fazer todas as instalações posteriores:
    1- usei o velho partion-magic para particiona o hd
    2- fiz um partição swp de 20048, embora seja exagero cria bastante folga para trabalho,
    3- o principal a partição onde vai ficar o linux novo deve ser ext3 e ser declarada como primária, do contrário não pode ser inicializada. Claro que muitos sabem disto, mas os iniciantes não sabem deste pequeno detalhe que termina fazendo a diferença de todo o trabalho e dificuldades depois.
    4- depois disto é só usar o cd ubuntu,(eu usei o que está nas bancas de jornais mesmo, 6.06) prontinho e já destilado para qualquer um.
    5- foi só rodar e depois fazer as atualizações. Demora um pouco mas é bastante aceitável, considerando que se está partindo para um sistema novo.
    6- depois disto foi só começar pela máquina da recepção e treinar a recepcionista para ao invés de dar boot em w fazer o boot em ubuntu-linux

    Ela extranhou nos primeiros dois dias, mas como a hierarquia fala mais forte, obedeceu. PRONTO, uma semana depois ela já tinha esquecido como era mesmo que se fazia isto no W….. hihihihihihi …
    e seguindo a experiência SUPER positiva de trocar todos os msoffices por broffice, hoje todos os que se utilizam do trivial que é navegar, escrever documentos, e responder/enviar emails, afirmam categóricamente: muito melhor a máquina assim, ficou mais rápida.

    Claro que que está com aquelas máquinas velhas nota a diferença e ela é real, as mais novas não tanto, mas ……
    a maioria das pessoas “engasgam” na instalação do linux desktop, porque os tutoriais de instalação, quase todos, tem um defeito de atitude em querer destruir o W, quando basta apenas facilitar o uso compartilhado na mesma máquina e deixar o usuário escolher.

    Os redatores de revistar e demais manuais e tutoriais de instalação devereiam dara mais atenção ao processo de instalação primário. Aquilo que parece óbvio, não é tão óbvio assim quando se tem que mudar de forma de pensar e até mesmo porque a maioria dos usuários simplesmente senta na frente da máquina e apenas aperta o botão e “puff” um sistema aparece e ele usa simplesmente; sem saber direto o que acontece na “caixa preta”.

    O redator que pensar com a mente do usuário pode sim modificar sua matéria para transferir ao leitor-usuário iniciante e médio a capacidade de criar e usar uma alternativa tecnológica mais compatível

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